O “não” que pode virar “sim”: o blefe de Ratinho Júnior

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O tabuleiro político do Paraná acaba de ganhar um novo capítulo digno de bastidores que fariam até os mais calejados analistas levantarem uma sobrancelha. Ratinho Júnior, até então cotado para voos mais altos, anuncia que não será candidato à Presidência da República poucos dias após recusar publicamente o posto de vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Tudo muito rápido, muito limpo, muito conveniente. Em política, quando a história parece simples demais, geralmente é porque não é.

Enquanto isso, no plano doméstico, o governador mantém um silêncio quase elegante, ou calculado, sobre sua sucessão. Guto Silva e Alexandre Curi orbitam como nomes naturais, ambos com trânsito consolidado nos corredores do poder. Mas o silêncio de Ratinho não soa como indecisão. Soa como roteiro bem ensaiado. Um roteiro em que ninguém revela o final antes da hora, especialmente quando há tanto em jogo.
E então surge o elemento que bagunça qualquer previsão linear. Sérgio Moro, recém-filiado ao PL, com capital político e recall eleitoral, desponta como o nome mais competitivo para o governo do Estado. Forte demais para ser ignorado, incômodo demais para ser deixado solto. É nesse ponto que a política deixa de ser narrativa pública e volta a ser o que sempre foi, um jogo de xadrez onde peças são movidas com precisão cirúrgica e, muitas vezes, com um sorriso no rosto.
A hipótese que circula nos bastidores, dita em tom baixo mas com convicção, é de uma jogada dupla. Ratinho teria blefado ao recusar a vice, aguardando o momento certo, possivelmente condicionado ao destino da candidatura de Moro. Se o senador for barrado ou enfraquecido, o caminho se reabre e o governador reaparece como peça nacional. Caso contrário, garante-se o controle do Paraná com um sucessor alinhado. Se isso for verdade, não estamos diante de um recuo, mas de uma manobra. E como toda boa manobra política, ela só parece óbvia depois que já aconteceu.

Por, Medusa

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