As anêmonas-do-mar, conhecidas por sua posição distante na árvore evolutiva dos seres humanos, podem ter mais em comum com os humanos do que se imagina. Embora a diferença entre as espécies seja clara, com os humanos vivendo em terra e as anêmonas no ambiente aquático, um estudo recente realizado por cientistas da Universidade de Viena indica que estas criaturas marinhas, que pertencem ao filo dos cnidários, compartilham um mecanismo biológico fundamental com os bilatérios, grupo que inclui os seres humanos.
O estudo revela que, durante o desenvolvimento de seu corpo, as anêmonas-do-mar utilizam um processo conhecido como transporte de proteínas morfogenéticas ósseas, ou BMP. Este mecanismo, amplamente associado aos bilatérios, desempenha um papel crucial na organização do corpo durante o desenvolvimento embrionário. A descoberta sugere que o mecanismo pode ter surgido antes da separação evolutiva entre os ancestrais dos cnidários e dos bilatérios, o que levanta importantes questões sobre a história evolutiva desses organismos.
Os cnidários possuem uma organização corporal radial, com estruturas dispostas em torno de um eixo central, enquanto os bilatérios apresentam simetria bilateral, com uma clara diferenciação entre os lados esquerdo e direito do corpo. Mesmo assim, os pesquisadores observaram que as anêmonas-do-mar utilizam um mecanismo molecular semelhante ao dos bilatérios para estabelecer seus eixos corporais durante o desenvolvimento. Essa similaridade é surpreendente, considerando as diferenças estruturais entre os dois grupos.
As proteínas BMP atuam como mensageiros moleculares essenciais que ajudam as células a determinarem sua posição no organismo e a diferenciarem os tipos de tecidos a serem formados. A presença dessas proteínas nas anêmonas-do-mar pode indicar que seus ancestrais evolutivos também contavam com um sistema de desenvolvimento mais complexo do que se acreditava anteriormente.
Essa pesquisa não apenas amplia o entendimento sobre a evolução das anêmonas-do-mar, mas também oferece novas perspectivas sobre a origem de mecanismos biológicos que são fundamentais para o desenvolvimento dos seres vivos. A possível ancestralidade compartilhada entre essas criaturas marinhas e os humanos pode mudar a forma como a evolução é compreendida, sugerindo que as raízes de muitos processos biológicos complexos são mais antigas do que se pensava.
O estudo destaca a importância de revisitar as narrativas evolutivas tradicionais, considerando que muitos mecanismos biológicos podem ter origens mais profundas na história da vida na Terra. A comparação entre os cnidários e os bilatérios poderá contribuir para uma compreensão mais abrangente da evolução e das interconexões entre diferentes grupos de organismos.














