Na política, copiar nunca foi exatamente um problema, desde que funcione. Em 2018, Ratinho Júnior estreou na disputa pelo governo do Paraná com uma estratégia cirúrgica: cercou-se de deputados estaduais e federais com alto poder de comunicação, nomes já testados no palco midiático e com capacidade de transformar visibilidade em voto. O resultado foi uma vitória consistente, repetida com ainda mais conforto em 2022. Não foi acaso, foi método.
Agora, em 2026, o tabuleiro ganha contornos de déjà vu. Sérgio Moro, embalado pelas pesquisas e pela memória ainda viva da Lava Jato, decidiu seguir o mesmo roteiro, sem qualquer constrangimento criativo. Ao lado de Deltan Dallagnol, o mais votado do estado, organiza uma base que aposta na força da exposição e na retórica endurecida como combustível eleitoral. A estratégia não disfarça sua origem, apenas tenta amplificá-la.
A chamada base da bala surge como vitrine dessa movimentação. Ex-policiais, delegados e figuras oriundas da segurança pública entram em cena com discurso afiado, presença digital agressiva e uma disposição constante para o confronto. Tito Barichello, Jeffrey Chiquini, Perdeu Piá, João Bettega e Ricardo Arruda compõem esse elenco que mistura política, performance e polarização em doses generosas. São personagens que compreenderam que, na política atual, visibilidade é capital.
Enquanto isso, nos bastidores do poder, a pergunta que se espalha como desconforto silencioso é inevitável. Quem permanece ao lado de Ratinho Júnior. A base que antes parecia sólida começa a dar sinais de desgaste, atraída por um projeto que promete mais holofote e menos contenção. Em um cenário onde lealdade é negociável e protagonismo virou moeda, o risco para o atual grupo governista não é apenas perder espaço, mas assistir à migração gradual de seus próprios aliados para um novo centro de gravidade política.
Por, Medusa.














