Agronegócio monitora impactos diante do prolongamento da guerra no Irã

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Setor agrícola brasileiro acompanha com atenção os efeitos da guerra no Irã sobre insumos e exportações

Guerra no Irã preocupa agronegócio brasileiro devido a entraves em importação de insumos e impactos na exportação de milho e soja.

Agronegócio monitora impactos da guerra no Irã sobre insumos e exportações

O agronegócio monitora impactos decorrentes do prolongamento da guerra iniciada em 28/2 entre Irã, Israel e Estados Unidos, que ameaça desorganizar o sistema produtivo brasileiro. Segundo o professor Edson Roberto Vieira da Universidade Federal de Goiás, cerca de 80% dos insumos agrícolas são importados, e o conflito afeta diretamente essa dependência. O Brasil exportou US$ 2,9 bilhões para o Irã em 2025, sendo o país o 31º maior cliente brasileiro, com destaque para milho (67,9%), soja (19,3%) e açúcares (6,5%).

Entraves na importação de fertilizantes devido ao Estreito de Ormuz

O fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico, causou queda drástica no tráfego de embarcações, com média diária reduzida de 100 para quatro navios. Essa interrupção afeta a chegada ao Brasil de ureia, fertilizante nitrogenado essencial, e enxofre, usado em fertilizantes fosfatados. O professor Vieira destaca que esse cenário eleva custos de produção e logística, embora não restrinja diretamente a exportação de produtos agrícolas.

Exportação de milho para o Irã e seus riscos comerciais

O Irã é principal comprador do milho brasileiro, adquirindo cerca de 20% da produção nacional, o equivalente a 9,08 milhões de toneladas em 2025, conforme a Abramilho. Embora o agronegócio avalie que o milho possa ser redirecionado para outros mercados, a dependência do país implica exposição a riscos comerciais diretos, agravados pelo conflito regional.

Impactos macroeconômicos e pressões inflacionárias no Brasil

Além dos efeitos diretos no comércio e insumos, o conflito provoca aumento no preço do petróleo e variações cambiais que pressionam a inflação brasileira. Vieira alerta que a alta da inflação pode levar o Banco Central a manter a taxa Selic mais alta por mais tempo, dificultando a redução dos custos de financiamento e podendo impactar crescimento econômico e emprego no setor rural.

Estratégias do agronegócio para enfrentar o cenário de incertezas

Atualmente, o setor ainda não está em período crítico de compra de fertilizantes, o que pode minimizar os efeitos se o conflito for breve. Associações como a Abramilho acompanham o desdobramento da guerra e avaliam estratégias para diversificar mercados e insumos, buscando reduzir a vulnerabilidade do agronegócio a choques externos e garantir o abastecimento interno e a estabilidade das exportações.

Fonte: www.metropoles.com

Fonte: Wenderson Araujo/Trilux/CNA

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