A aproximadamente 750 milhões de anos-luz da Terra, uma equipe de astrônomos fez uma descoberta significativa ao localizar um buraco negro supermassivo que está devorando estrelas em sua trajetória. Este buraco negro, ao contrário da maioria dos conhecidos, não está situado no centro de uma galáxia, mas sim afastado do núcleo, o que o torna um dos raros exemplos desse tipo de fenômeno já documentados.
Identificado na galáxia catalogada como WISEA J014656.04-152214.7, localizada na constelação de Cetus, este buraco negro é apenas o segundo do seu tipo, denominado “órfão”, a ser descoberto pela comunidade científica. A identificação do objeto ocorreu por meio da observação de um evento conhecido como ruptura por maré, que se dá quando uma estrela se aproxima demais de um buraco negro, sendo esticada e despedaçada pela intensa força gravitacional.
Durante o evento de destruição, os fragmentos da estrela alcançam temperaturas que podem chegar a 30.000 °C, emitindo radiação intensa que pode ser captada por telescópios tanto terrestres quanto espaciais. Como buracos negros não emitem luz própria, esses momentos de ruptura oferecem uma das poucas oportunidades para que cientistas localizem tais objetos, que, de outra forma, permaneceriam invisíveis.
O fenômeno foi inicialmente detectado pelo Observatório Palomar, localizado na Califórnia, e pelo telescópio SOAR, que está instalado no Chile. A confirmação das observações foi realizada pelo Observatório Neil Gehrels Swift, da NASA, um satélite que opera em órbita terrestre baixa e é especializado em detectar explosões cósmicas e outros eventos de alta energia. Os resultados dessa pesquisa foram publicados em uma revista científica renomada na área de astrofísica.
Os números envolvidos na descoberta são impressionantes: no auge do brilho da estrela destruída, sua irradiação de energia equivalia à produzida por aproximadamente 10 bilhões de sóis. Este fenômeno não apenas destaca a complexidade e a dinâmica dos buracos negros, mas também abre novas possibilidades para o entendimento de como esses objetos se formam, evoluem e interagem com as galáxias ao longo da história do universo.














