Estudo revela anomalia térmica surpreendente em Marte

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Novas investigações sobre a composição interna de Marte reforçam a hipótese de que o Planeta Vermelho é dividido em duas partes bastante distintas. A pesquisa indica que, nas profundezas do hemisfério sul, a temperatura pode ser até 400 °C superior à do hemisfério norte, aprofundando o enigma sobre a marcante divisão entre as vastas planícies e áreas de baixa altitude do norte e as regiões elevadas, acidentadas e repletas de crateras do sul.

Alexander Berne, pesquisador que atuou anteriormente no Instituto de Tecnologia da Califórnia e atualmente está na Universidade do Arizona, lidera um estudo que identificou essa anomalia térmica. Tradicionalmente, os cientistas presumem que o interior dos corpos planetários apresenta uma estrutura simétrica e esférica. Entretanto, Marte parece desviar dessa expectativa, levando a novas questões sobre sua formação e estrutura interna.

Para explorar essa discrepância, Berne e sua equipe revisitaram dados de três sondas da NASA: Mars Global Surveyor, Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter. O foco da pesquisa foi observar pequenas variações na velocidade orbital dessas espaçonaves, uma abordagem que pode revelar sutilezas no campo gravitacional do planeta. Essa relação se dá porque a distribuição de massa dentro de um planeta influencia diretamente sua gravidade.

A equipe utilizou uma técnica inovadora chamada tomografia de maré, desenvolvida por Berne, que considera também a influência gravitacional do Sol sobre Marte enquanto o planeta se desloca em sua órbita elíptica. Ao combinar esses dados, os pesquisadores conseguiram criar um modelo da estrutura interna de Marte e avaliar a variação de temperatura nas suas profundezas.

Os achados demonstraram que o campo gravitacional experimentado pelas diferentes sondas ao longo do tempo apresenta diferenças significativas em relação ao que seria esperado se o interior de Marte fosse perfeitamente simétrico. Essa descoberta não só desafia as noções existentes sobre o planeta, mas também abre novas avenidas para a pesquisa sobre a formação e evolução de Marte dentro do Sistema Solar.

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