Memorial pela Vida das Mulheres reúne arte e resistência para combater a violência de gênero em São Paulo
A Marginal Tietê em São Paulo virou um memorial contra feminicídio, reunindo grafiteiras que usam a arte para denunciar e homenagear vítimas.
Memorial contra feminicídio na Marginal Tietê reúne mais de 30 grafiteiras em São Paulo
O “Memorial pela Vida das Mulheres” inaugurado na Marginal Tietê, em São Paulo (SP), representa uma importante ação de memória e resistência. A intervenção artística reuniu mais de 30 grafiteiras para homenagear Tainara Souza Santos, vítima de feminicídio no local em 2025. Essa iniciativa integra a programação do Ministério das Mulheres no mês de março, transformando a área do crime em um espaço coletivo que denuncia a violência contra as mulheres por meio da arte.
Diversidade e representação fortalecem o memorial coletivo
Sob curadoria da Lar Galeria e coordenação das produtoras Katia Lombardo e Simone Siss, o memorial destaca a diversidade feminina na arte urbana. O coletivo inclui desde pioneiras do grafite nos anos 1980, como o grupo “As Noturnas”, até artistas contemporâneas ligadas ao Hip Hop, realismo, stencil e outras vertentes. Muitas das grafiteiras moram ou atuam na região onde Tainara vivia, criando um vínculo forte com a comunidade local e valorizando a cultura do território enquanto expressam suas diferentes trajetórias e linguagens.
O grafite como ferramenta de denúncia e educação social
O memorial funciona simultaneamente como uma homenagem e uma denúncia contra a naturalização da violência de gênero. Ao transformar o local do crime em um espaço de arte pública, as artistas convocam a sociedade a refletir sobre a urgência do enfrentamento ao feminicídio. A obra coletiva evidencia a potência da rede feminina e do grafite urbano como instrumento de mobilização social e política, reforçando que a memória é também um ato político relevante para a transformação cultural.
Artistas destacam identidade, ancestralidade e resistência
Luna Bastos, natural de Teresina (PI), utiliza sua arte para trabalhar a ancestralidade africana, identidade e memória, propondo novas formas de compreensão do mundo. Mariana Calle, criada na periferia de São Paulo, expressa nas artes as complexidades da mulher negra, pesquisando o apagamento histórico dessas mulheres para ampliar espaços na cena artística. Já Pri Barbosa, paulistana, dialoga sobre o amor e a violência, buscando desnaturalizar agressões nos relacionamentos através de sua produção visual, que integra o memorial com mensagens de reflexão.
Impacto social e ações governamentais contra o feminicídio
Em 2025, o Brasil registrou 1.548 vítimas de feminicídio, um recorde preocupante que reforça a necessidade de ações efetivas. O Governo do Brasil tem ampliado serviços como o Ligue 180, Casas da Mulher Brasileira e Centros de Referência para proteção feminina. Além disso, o Pacto Brasil entre os Três Poderes busca prevenir, responsabilizar agressores e proteger mulheres. O memorial na Marginal Tietê destaca o papel da arte como aliado na luta contra essa grave questão social.
A intervenção artística no memorial é um marco que une arte, memória e luta social, reforçando a importância da arte urbana para transformação e resistência no enfrentamento à violência contra as mulheres.
Fonte: agenciagov.ebc.com.br
Fonte: Marla Galdino/MMulheres














