Em dezembro de 1972, durante a missão Apollo 17, os astronautas capturaram uma das imagens mais emblemáticas da Terra, mostrando o planeta como uma esfera azul cercada por nuvens, desde o Polo Sul até a região do Mar Mediterrâneo.
Com o passar dos anos, a NASA apresentou uma visão diferente da forma da Terra, que, à primeira vista, parece descrever um planeta irregular, repleto de saliências e depressões. No entanto, essa imagem representa um mapa do campo gravitacional da Terra, desenvolvido a partir de mais de um bilhão de medições realizadas por 19 satélites especializados.
Para evidenciar essas diferenças, os cientistas ampliaram as variações em cerca de 10 mil vezes, uma vez que, sem essa ampliação, as irregularidades seriam quase invisíveis ao olho humano. O gráfico ilustra como seria a configuração dos oceanos se a influência de fatores como ventos, correntes marítimas e marés fosse eliminada, fazendo com que a água respondesse apenas à força da gravidade. Essa superfície teórica é denominada geoide na área da geodésia e serve como uma referência crucial para medições de altitude, posicionamento geográfico e monitoramento do nível do mar.
A irregularidade do geoide decorre do fato de que a gravidade não é uniforme em todos os pontos do planeta. Em determinadas localidades, como nas proximidades da Islândia, a atração gravitacional é um pouco mais forte do que a média, enquanto em regiões como partes da Índia e da Antártica, a força gravitacional é ligeiramente inferior. Embora essas variações sejam mínimas e não percebam no dia a dia, elas podem ser medidas com precisão por satélites equipados com instrumentos sensíveis.
As diferenças gravitacionais não são causadas por elementos da superfície, como montanhas ou oceanos, mas sim pela distribuição desigual de massa no interior da Terra. Abaixo da crosta terrestre encontra-se o manto, uma camada composta por rochas submetidas a altas temperaturas e pressões, que influenciam a gravidade em diferentes regiões do planeta.














