A famosa frase "Cogito, ergo sum" — que significa "Penso, logo existo" — é uma das mais reconhecidas na filosofia ocidental, sendo atribuída ao filósofo René Descartes. Essa máxima influenciou profundamente o entendimento sobre a consciência, sugerindo que a capacidade de pensar e analisar a realidade é o que distingue os humanos dos demais seres vivos. Essa visão implica que uma maior sofisticação no raciocínio resulta em uma consciência mais elevada, colocando a espécie humana em um patamar superior na evolução cognitiva.
Entretanto, um número crescente de neurocientistas e especialistas em consciência está questionando essa perspectiva, argumentando que a ordem proposta por Descartes pode estar invertida. Em vez de "Penso, logo existo", esses estudiosos sugerem a frase "Sinto, logo existo". Essa nova abordagem indica que a consciência não se origina do pensamento complexo, mas sim da habilidade de sentir o próprio corpo e reconhecer seu estado interno.
Entre os principais defensores dessa nova visão está o neurocientista António Damásio. Ele propõe que a consciência é um fenômeno biológico que existe há muito mais tempo do que o pensamento racional e que se desenvolveu antes mesmo do surgimento dos seres humanos, antecedendo o próprio desenvolvimento do córtex cerebral. Essa estrutura, que é a parte mais externa do cérebro e está associada ao raciocínio lógico, planejamento e tomada de decisões, não seria o núcleo da consciência, .
A proposta de Damásio sugere que a consciência se iniciou quando os organismos começaram a monitorar continuamente seu estado interno. O cérebro, então, recebe sinais constantes de quase todos os órgãos do corpo, que informam se as funções estão ocorrendo normalmente ou se há alguma ameaça à sobrevivência. Esses sinais são fundamentais e constituem o que Damásio denomina de sentimento.
A discussão sobre a origem da consciência traz implicações importantes para o entendimento do comportamento humano e a evolução das espécies, desafiando preceitos estabelecidos há séculos. Essa nova perspectiva, que prioriza o sentimento em detrimento do pensamento, pode abrir novos caminhos para a pesquisa na área da neurociência e da filosofia, ampliando a compreensão sobre o que realmente significa ser consciente.














