O Ministério Público do Paraná (MP-PR) iniciou a segunda fase da Operação Homens de Bem, que investiga um suposto esquema de fraude em licitações públicas na cidade de Pato Branco, no Sudoeste do Paraná. O foco da operação é o presidente da Câmara Municipal, Joecir Bernardi, além de uma servidora comissionada da Prefeitura de Pato Branco, que também está sob investigação.
Durante a operação, cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos. As equipes do MP-PR recolheram documentos e dispositivos eletrônicos que serão analisados para dar continuidade às investigações. A apuração revela que empresas dos setores de pavimentação asfáltica e engenharia civil estariam colaborando com agentes públicos para manipular disputas de contratos de obras no município.
Os investigadores suspeitam que o esquema funcionava por meio da apresentação de projetos de pavimentação como doações ao poder público. Após a entrega desses projetos, o município iniciaria processos de licitação para a execução das obras. De acordo com as investigações, empresas envolvidas nesse esquema teriam vencido diversas licitações relacionadas aos projetos apresentados.
A investigação ainda apura a veracidade das doações, uma vez que há indícios de que alguns documentos foram assinados como se os projetos tivessem sido oficialmente doados ao município, sem que os serviços técnicos necessários para a elaboração desses materiais fossem contratados. Essa situação levanta questões sobre a autenticidade das doações apresentadas.
Além disso, integrantes do grupo investigado teriam buscado a servidora e o presidente da Câmara para facilitar a formalização das doações suspeitas. O MP-PR busca esclarecer o papel de cada um dos envolvidos e determinar se há uma atuação coordenada entre empresários e agentes públicos, o que poderia configurar um Crime Organizado.
A operação ocorre em um contexto em que os contratos firmados pelo Município de Pato Branco, relacionados a essa investigação, permanecem suspensos. As consequências legais e administrativas desse caso ainda estão sendo apuradas pelo Tribunal de Justiça e pela Promotoria de Justiça, que acompanham de perto os desdobramentos da operação.














