Ciência orienta metas brasileiras para redução de gases de efeito estufa

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Modelos avançados e pesquisas do Cenergia apoiam plano nacional para neutralidade até 2050

Pesquisas científicas do Cenergia da UFRJ fundamentam as metas e políticas do Brasil para a redução de gases de efeito estufa até 2050.

Ciência e tecnologia apoiam redução de gases de efeito estufa até 2050

A redução de gases de efeito estufa é um dos desafios centrais para o desenvolvimento sustentável do Brasil. Em 2024, durante a COP29, o país apresentou sua segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2035, respaldada por relatórios científicos detalhados que balizam decisões estratégicas. Andrea Latgé, secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), destaca que essa é a primeira vez que o Brasil estabelece metas setoriais claras para a mitigação, com total embasamento da ciência nacional.

Modelo Blues: inovação na análise de trajetórias integradas de mitigação

O modelo computacional usado para criar os cenários é o Sistemas de Energia e Uso da Terra do Brasil (Blues), desenvolvido pelo Cenergia da COPPE/UFRJ. Roberto Shaeffer, coordenador do grupo, explica que o Blues é tecnologicamente detalhado, representando todas as opções tecnológicas disponíveis com dados específicos para o sistema energético e uso do solo brasileiro. Diferente de modelos econômicos tradicionais, o Blues identifica caminhos eficientes que minimizam custos e impactos, garantindo a continuidade dos serviços essenciais como mobilidade, energia e produção agrícola, enquanto reduz emissões.

Impactos setoriais e regionalização das políticas climáticas

O Blues avalia mais de 30 mil tecnologias distribuídas por setores, abrangendo desde veículos elétricos até práticas agrícolas e manejo florestal. Com uma abordagem regionalizada em seis áreas do país, o modelo simula cenários até 2060 para assegurar que as políticas públicas contemplem as diversas realidades brasileiras, incluindo gestão hídrica e controle de poluição atmosférica. A integração de dados como o Inventário Nacional de Gases de Efeito Estufa e restrições ao desmatamento legal mostra o rigor científico aplicado para criar metas ambiciosas e factíveis.

Transparência e diálogo entre ciência, governo e sociedade

Mais de 60 eventos, oficinas e reuniões envolveram acadêmicos, governo e sociedade civil durante a elaboração dos cenários. Foram cerca de 800 horas dedicadas ao diálogo para garantir que as decisões fossem respaldadas por evidências e ajustadas a questões sociais e econômicas. Isso reforça a transparência e o compromisso do Brasil com a governança climática, tornando a NDC brasileira uma referência internacional pela robustez dos dados científicos que a sustentam.

Reconhecimento internacional e contribuições para políticas públicas futuras

O Blues é o único modelo computacional integrado do Sul Global reconhecido pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Além do uso nacional para definir metas e planos setoriais, o modelo contribuiu para estudos em estados como Pernambuco e Minas Gerais, e para avaliações de riscos econômicos relacionadas à transição energética. A ferramenta apoia decisões estratégicas que alinham crescimento econômico com a sustentabilidade ambiental, posicionando o Brasil como protagonista nas discussões globais sobre mitigação.

Fonte: agenciagov.ebc.com.br

Fonte: MCTI

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